sexta-feira, 3 de outubro de 2014

A Gruta da Ribeira e a Encantada



 A GRUTA DA RIBEIRA E A ENCANTADA
Por: Hermenegildo Freire de Macedo

A natureza é perfeita
Repleta de tal beleza
Feita pela mão divina
Para o pobre e a riqueza
E nela possui segredos
Que dar pra fazer enredos
Sem precisar de proezas.

Em todo espaço da terra
Existem obras divinas
Desde uma pequena flor
As mais extensas campinas
Que faz gosto observar
Passar horas a contemplar
Essa criação grã-fina.

Desde os tempos de criança
Que aprendi a ter respeito
Por tudo da natureza
Vendo nela o dom perfeito
Sendo nossa mãe primeira
E também a derradeira
De todo e qualquer sujeito.

Vou lhes contar uma história
De verdade com certeza
Não é papo de cigana
Nenhum golpe de esperteza
Mais sim um fato concreto
Que ao ouvir fiquei quieto
Pelo teor da pureza
01


Já dizia minha Vó
Que pano velho não remenda
E o diabo quando não vem,
Manda sempre a encomenda
Pois o fato que eu conto
É de causar tal espanto
Com o teor da contenda.

A passagem que aqui narro
Deve ser bem verdadeira
Pois ouvir de gente boa
Que não gosta de besteira
E afirma ter certeza
Pois a bendita proeza
Não parece brincadeira.

É no povoado Ribeira
Vizinho do meu lugar,
Que se passa esse caso
Coisa de se arrepiar
Faz medo ao tipo valente
Causando tremor na gente
Que visita o tal lugar.

É no dito povoado
Que ocorre a tal façanha
Quem mora lá já conhece
E por isso não estranha
Mais para o visitante
Se torna interessante
Essa história bem medonha.
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Quem já foi lá na Ribeira
De certo ouviu falar.
De uma gruta existente
No referido lugar
Escondida pela mata
Que parece uma cascata
Sem ter água pra jorrar.

Incrustrada em um morro
Num recanto abandonada
Se encontra essa gruta
Escura e mal assombrada
Ninguém nela penetrou
E as pessoas que tentou
 Saiu bem desnorteadas.

A tal gruta é esquisita
Capaz de dar arrepio
Escura e quase sem vida
Seu cheiro dar calafrio
Somente os anjos da noite
Que são bichos bem afoites
Vivem num lugar tão frio.

Os anjos da noite que falo
São morcegos de invernada
Que vivem dentro da gruta
E da mesma faz morada
Pois naquela escuridão
Com cheiro de podridão
Ninguém suporta a parada.
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Dizem que na tal caverna
Só ilumina a luz de vela
Outro tipo de luzeiros
Não clareia nada nela
Parece coisa anormal
Algo sobrenatural
Que acontece dentro dela.

Quem quer fazer aventura,
E entrar na tal caverna
Tem que ser bem amarrado
Com uma corda na perna
Ou nunca mais volta a traz
Pois não será mais capaz.
De regressar a taberna.

Quem teve lá descreveu
A tal caverna assombrada
Que pelo dia é uma coisa
E a noite é transformada
Recontou sua aventura
Como gesto de bravura
Mais não volta lá por nada.

Falou que após a entrada
Se transforma em labirinto
Com as entradas estreitas
Com caminhas não distintos
Ninguém sabe onde vai dar
Se é pra dez ou cem lugar
Não vou falar senão minto.
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Não vim aqui descrever
A caverna da Ribeira
Quero é contar uma história
De uma forma sorrateira
Dessa moça encantada
Que vaga nas madrugadas
Ou por uma noite inteira.

A história da encantada
Não tem nada parecida
Pois nela tem só desgraça
Que é melhor ser esquecida,
E dizem que os envolvidos
Que hoje são falecidos
Já descansa em outra vida.

Mais o ator principal
Que foi para o mundo eterno
Se fez o que aqui se conta
Não deve estar em bom terno
Pois gente dessa natureza
Eu tenho quase certeza
Que vagueia é no inferno.

Dono de vários engenhos
Com escravos e empregados
Criador de muitas reses
Com poder afortunados
Porem no seu coração
Trazia dotes do cão
Com projetos desgraçados.
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Segundo o povo mais velho
Que conta pra o mundo inteiro
A tal moça encantada
Era filha de um fazendeiro.
Que viveu na solidão
Sem direito a uma paixão
Trancada num cativeiro.

Dizem que o tal fazendeiro
Era brutal e tirano
Queria um herdeiro homem
Pois fazia muitos planos
Mais nasceu uma menina
Pra carregar triste sina
Durante todos os anos.

Assim que ela nasceu
Pelo pai foi excomungada
Escondida de seu povo
Num quarto trancafiada
Sem direito a luz do dia
Como se fosse uma cria
Dessa vida desprezada.

A menina foi crescendo
Sem direito a liberdade
Naquele mundo escuro
Repleto de crueldade
Um coração sem amor
Uma face sem esplendor
Vítima viva da maldade.
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A criança então cresceu
Sem mesmo ser batizada
Do mundo vivo lá fora
Não sabia quase nada
Sua única companhia
Seja de noite e de dia
Era sua mãe amada.

Ao completar quinze anos
Um presente recebeu
Um colar de esmeralda
Que sua mãe prometeu
Mais quase sem serventia
Pois pra usar não servia
Num quarto escuro igual breu.

Os vestidos engomados
Que nela a mãe vestia
Naquela doce esperança
De vê-la liberta um dia
Só causava mais desgosto
E a tristeza em seu rosto
Cada tempo mais crescia.

Branca como a neve pura
Pois o Sol nunca a tocou
Seus cabelos perfumados
Igual pétalas de flor
Lhes faltava a liberdade
Da infeliz crueldade
Que a vida os reservou.
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A mãe sempre ao seu lado
Lhes deu carinho e conforto
Porém o seu sofrimento
Era igual cristo no Horto
Que só de ver dava pena
Daquela alma pequena
Só repleta de desgosto.

As vezes ela pedia
Mamãe quero ir passear
Conhecer tudo lá fora
A natureza apreciar
Mais não era atendida
E ficava constrangida
Em um canto a lamentar.

Então um dia porém
Sua mãe em desespero
Resolveu contar a filha.
De toda história o roteiro
Causando nela uma dor
E um profundo rancor
Do tirano fazendeiro.

A filha olhou pra mãe
Fitando bem no seu rosto
Disse meus pai não é esse
Pra mim causa tal desgosto
A senhora se engana
Ainda essa semana
Ele vai beijar meu rosto.
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A mãe disse constrangida
Esse é seu pai verdadeiro
Mais não aceitou você
Pois queria um filho herdeiro
Ele não tem coração
De tomar tal decisão
Como qualquer bandoleiro.

Vendo a tristeza da filha
Sua mãe adoeceu
Se prostrou em uma cama
Com poucos meses morreu
E a coitada donzela
Foi repleta de mazelas
Pois seu brilho se perdeu.

Com a morte da patroa
Uma negra foi escalada
Pra tomar conta da moça
Por debaixo das caladas
Pois se ela abrisse a boca
Podia ir para a forca
Ou seria esquartejada.

E assim a negra escrava
Cuidou da moça doente
Dando zelo e cuidado
Querendo vê-la contente
Porém a mesma pedia
Que a ela desse um dia
Um rumo bem diferente.
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A escrava então prometeu
A donzela ajudar
Porem ela precisava
De uma promessa zelar
Que em certa ocasião
Fizesse uma procissão
Com zabumbas a tocar.

A moça disse eu prometo
Fazer um acompanhamento
Com as gaitas e zabumbas
E até outros instrumentos
Mais me livre dessa sorte
Porque é melhor a morte
Do que esse sofrimento.

Então a preta levou
São João e São Mariano
Pra moça formalizar
E executar o seu plano
De ganhar a liberdade
Se livrar da atrocidade
Que durava muitos anos.

E diante da imagens
A donzela prometeu
De que duas vez por ano
Fazia o desejo seu
Mais que os santos ajudasse
E que ela se livrasse
Da sina que o pai lhes deu.
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Agora com tudo certo
A negra traçou um plano
Com ajuda de um amigo
Tudo por detrais dos pano
Pra dar fuga a prisioneira
Sem fazer qualquer besteira
E sem cometer engano.

O amigo era um negro velho
Que trabalhou de vaqueiro
Conhecedor da fazenda
Fazia qualquer roteiro
Sabia onde o cão dormia
Mesmo de noite ou de dia
A fazenda era um terreiro.

Sabia todas as brenhas
Cada morro ou ladeira
Daquela velha fazenda
Que viveu a vida inteira
Ninguém melhor pra ajudar
A meninas escapara
Da sina prisioneira.

Então foi tudo acertado.
O plano estava bem feito
A coisa toda arranjada
Cada ponto do seu jeito
E a moça foi alertada
Pra ficar bem acordada
Sem causar nenhum suspeito.
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Era a semana Santa
Com belas noites de lua
Propicia pra namorar
Ou passear pela rua
Porém naquela fazenda
As cenas eram horrendas
Como sangue em carne crua.

Cada um tem seu destino
Ninguém pode duvidar,
Traçado ou premeditado
Em certo espaço ou lugar
E carrega isso consigo
Como vitória ou castigo
Até os tempos passar

No entanto essa moça
Relatada nessa história
Traçaram pra vida dela
Por ter uma vida simplória.
Mais não ter prazer em nada
Nem por ninguém estimada
Só servindo de escória.

Voltando ao nosso roteiro
Pra não perder a miada,
Desse fato tão estranho
Que se deu nessas paradas
Coisa de dar arrepio
E que causa desafio
Ao cantor de embolada.
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Numa quinta-feira Santa
Quando tudo se aquietou
A negra chamou a moça
E seu plano executou
Tirando da moradia
E naquele mesmo dia
Lá na gruta lhes deixou.

Somente o negro sabia
Da existência da tal gruta
Pois costuma ir lar
Descansar após a luta
E não ser incomodado
Por um desafortunado
Ou qualquer filho da puta.

Retornara a casa grande
Para não ser percebido
Mais o diabo em pessoa
Já tinha comparecido
E avisado ao fazendeiro
E até feito o roteiro
Do que tinha acontecido.

O casal de negro escravo
Foram logo executados
Sem direito a uma defesa
Jugaram logo culpados
Pois a fúria do patrão
Era igual a Lampião
Quando estava encurralado.
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A ordem foi dada a todos
Pra fazenda revirar
Movendo pedra por pedra
Mais tinha que encontrar
O paradeiro da donzela
Ou nenhuma das cancelas
Da fazenda ia sobrar.

Os cabras então se espalharam
Uns montados e outras a pé,
Uns foram pra o Santo Antônio
Alguns pro Campo Culé
No intuito de resgatar
E a moça entregar
Ao patrão de muita fé.

O fazendeiro tirano
Sem dó e sem compaixão
Se sentia ofendido
Com aquela traição
De ver tudo revelado
Todo seu plano frustrado
Por aquela ocasião.

Rodaram dia e noite
Nenhum sinal encontraram
Voltaram para a fazenda
E ao patrão relataram
Que aquela tal menina
Não se achava nas campinas
Por onde a procuraram.
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O fazendeiro porém,
Não pode se conformar
Ficando mais furioso
Começou a praguejar,
Gritando por toda sorte
Que satanás desse a morte
No lugar que ela estar.

O infeliz e sem sorte
Com toda sua crueldade
Não sossegou nem dormiu
Só pensando na maldade
Queria dela um sinal
Pra consolidar o mal
Da mais pura vaidade.

Continuou sua busca
Durante o ano inteiro
Começou no mês de março
Só findou em fevereiro
Não obtendo noticia
Daquela pobre noviça
Nem qual foi seu paradeiro.

A notícia se espalhou
Do sumiço da menina,
Para uns o pai matou
E enterrou nas campinas
Falam que foi rebatada
Pela Virgem Imaculada
Que a livrou da triste sina.

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A certeza é que agora
Ela vive a vagar
Cumprindo a sua promessa
Da procissão celebrar
Fazer o acompanhamento
Usando os instrumentos
Noite inteiras a tocar.

As pessoas já ouviram
Lá nas bandas do Poção,
Uma certa noite do ano
Aquela celebração
Na frente vai a donzela
Carregando junto a ela
São Mariano e São João.

E assim fica explicado
A história aqui citada
Da filha do fazendeiro
Que vivia encarcerada
E que se escondeu na gruta
Durante o dia se oculta
Pois virou uma encantada.

As pessoas que já viram
Dizem que é muito bela
É formosura e doçura
O rosto da tal donzela
Mais carrega um olhar triste
Da dor que ainda persiste
E não se libertou dela.
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Dizem que em noites claras
Ela se banha no Poção
Recitando melodias
Que retrata a solidão
Quem ouve fica abismado
E muito maravilhado
Daquela linda canção.

A história ainda diz
Que o infeliz fazendeiro
Morreu de arrependimento
Sem deixar nenhum herdeiro
Ninguém enterrou o traste
Pois tem gente até que ache
Que o cão levou inteiro.

Antes de finalizar
Agradeço com carinho
Ao meu afilhado Wilillan
Que me ensinou o caminho
Para a gruta da Ribeira
Como guia de primeira
Mostrando cada cantinho.

O fato é que ela vive
Lá na gruta da Ribeira
Esperando um grande amor
Que lhes faça companheira
E encerro minha história
Pra não forçar a memoria
Cometendo uma besteira.................

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     Escrito Por: Hermenegildo Freire de Macedo
 Agradecimentos a: Wilian dos Santos (Afilhado)




Literatura de Cordel  ( Septilhas)
Gênero: Cordel





GAFANHOTO NÃO É GRILO



Literatura de Cordel
Autor: Hermenegildo Freire de Macedo

Gafanhoto não é grilo


Vejam aqui criançada
Uma história popular
Um caso bem diferente
Pro cordelista contar
No visto bem curioso
Pois vale apena escutar.

Nesse mundo de meu Deus
Todos querem seus direitos
Seja justo ou errado
Certinho ou com defeito
O melhor é se dar bem
De tudo tirar proveito.

Mais existe certas coisas
Que já passa do imite
E às vezes só se emenda
Com cola quente e ribite.
Como manhas de sujeitos
Que vive de dar trambique.

Mais vou narrar à história
Que vim aqui pra contar
Antes que alguém pense
Que quero é enrolar.
Pois não o meu costume
De o leitor trambicar.

1
Esse caso é engraçado
Eu acho até anormal
Pois a contenda ocorre
No vasto mundo animal
Porque também nesse meio
Nenhum sujeito é igual.

O fato aconteceu
Sobre um pé de cajazeira
Era quase meio-dia
Quando rolou a zoeira
Um gafanhoto e um grilo
Discutindo por besteira.

Em menos de meia hora
Reuniu-se a bicharada
Em volta daquela moita
Para ver a disparada
De afronta e xingamento
A  troco de quase nada.

O grilo falava alto
Que zumbia no ouvido
O gafanhoto respondia
Com um jeito atrevido
Querendo ser valentão
Deixando o outro inibido.

2
O grilo dizia: eu canto
Com muita sabedoria
Tocando meu violão
Seja  noite ou de dia
Não sou um cabeça oca
Que fala sem garantia.

Canto lá na invernada
Faço uma festança legal
Minha voz é afinada
Eu não sou um bicho mal.
Que vive encasacado.
Procurando algum rival.

Ao ouvir essa conversa
O gafanhoto se armou
Levantou a sua antena
Na casaca se ajeitou
Parecia que o malandro
Nesse instante endoidou.

A formiga até falou:
- Se acalme companheiro
Não precisa essa contenda
Seja assim os dois parceiro
Isso é um mal entendido
Um ato muito fuleiro.

3
Alguns que ali se achavam
De nada ainda entendia
Mais parou pra espiar
As cenas que ocorria
Pois nada assim é normal
Naquelas horas do dia.

- Mais o que aconteceu?
Falou a rã assustada
Chegou também o tatu
Correndo em disparada
A cutia já gritando
Dizia: A coisa é retada.

O saguim se empoleirou
No galho da cajazeira
Falando para a preguiça
Sobre o caso da zoeira
Uma borboleta olhava
Do alto da bananeira.

Até mesmo a girafa
Quis a cena apreciar
Espichava seu pescoço
Para tudo observar
Mais tropeçou na rabada
Do mestre tamanduá.

4
Assim seguia-se o tumulto
Cada bicho a palpitar
Uns rosnavam com mais força
Outros somente a zurrar
Ninguém mais se entendia
No meio do blá-blá-blá.

Um touro velho cansado
Chegou mastigando feno
Ouviu a conversa e saiu
Nem mesmo deu um aceno
Disse: é briga de pivetes
Coisa de bicho pequeno.

Uma coruja esperta
Aproximou-se para olhar
Soltando um piu medonho
Começou logo a falar
Esses dois desocupados
Deviam é se respeitar.

A confusão era tanta
Que ninguém se entendia
Uma pata velha choca
Passou mal deu agonia
Espichou-se lá no chão
Só acordou com dois dias.

5
Um inhambu cordiniz
Que só anda em disparada
Assustou-se e veio ver
O motivo da zoada
Se meteu na confusão
Sem ter sido convidada.

Uma ovelha sabichona
Quis dar sua opinião
Mais o grilo agradeceu
Acenando com a mão
O carneiro e um cabrito
Gargalhou da decisão.

A  Lontra muito gorda
Chegou-se devagarinho
Não gostando da conversa
Foi saindo de fininho
E disse para todos
Ter vergonha no focinho.

O veado bicho esperto
Não quis se aproximar
Ali não valia a pena
O tempo desperdiçar
Convidou o bacurau
Pra na sombra descansar.

6
O gavião e a águia
Deram uma sobrevoada
Viu o grilo a bater boca
Xingado por quase nada
Bateu azas para longe
Pra não ver a palhaçada.

O burro e sua burrice
Se meteu logo na briga
Sem saber do ocorrido
Nem a causa da intriga
Foi de lá escorraçado
Com um chute na barriga.

Saiu doido em disparada
Sem enxergar o caminho
Encontrou com o cavalo
Quase bate o focinho
Levou mais um safanão
Que viu tudo miudinho.

A égua compadecida
Reclamou para o marido
- não bata no desgraçado
Não vê que tá desprovido
E o cavalo respondeu:
- esse burro é um atrevido.

7
E um jumento zurrou
Disse: - boa companheiro
Merecia mais uns  tapas
Para não se xereteiro
Vejam se me meto nisso
Prefiro ser bem matreiro.

Parecia que a loucura
Baixou no reina animal
Ninguém mais se entendia
Num tumulto infernal
E ali os dois causadores
Sentiam-se um maioral

A selva estava agitada
Uma tremenda confusão
Quando o jabuti lembrou
E deu sua opinião
Que pra resolver o caso
Vou chamar o rei leão.

Quando o jabuti falou
O silêncio foi total
Cada um baixou a voz
Ninguém mais quis ser o tal
Teve bicho meio covarde.
A se esconder no matagal.

8
Se o leão ali chegasse
Resolvia num segundo
Botava tudo na ordem
Manobrava todo mundo
Bicho brabo se calava
Dentro de buraco fundo.

Disseram em alta voz:
Tu tá doido jabuti!
Se o leão aqui chegar
Não sobra gato ou quati
Deixe isso entre nós
Vê se cala por aí.

Até o lobo guará
Apoiou  a bicharada
Seguido do javali
E até da onça pintada
Que murmurou baixinho  
Não faças a coisa errada.

O grilo e o gafanhoto
Chegaram à conclusão
Que mesmo com diferenças
Os dois era meio irmão
Não tendo mais  motivo
De tamanha confusão.

9
E acabou-se a demanda
Do grilo e do gafanhoto
Reinaram lá na floresta
Um respeitando o outro
Mais todo fiquem sabendo
Que grilo não é gafanhoto.


Especialmente para minha filha  Eduarda. Te amo filha.



Descrição: D:\Pictures\img013.jpg



Povoado Cajaiba 11/02/2010.






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