sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

CONTO DE VERÃO



Conto de Verão



SOMBRAS DA VIDA.

   



Bem tranquilo e sereno, passos lentos na terra quente. Movimentos leves um olhar atento observador. Num momento repentino ver-se ali refletido como num espelho enrustido que surgira do acaso. Olha lentamente o reflexo, busca traços e aparências, cruza semelhanças de alguém. E durante um tempo admira aquele vulto perfeito, respira profundo engole a seco, cinge a testa. O pensamento distante vagueia por um passado que faz lembranças voltarem e ainda em silêncio recorda as horas de glórias, lutas, brigas e vitórias que na vida acontecera. Num súbito ele retorna.  Ver a imagem tremula que se aprofundo e depois retorna, dança e se contorce em um gingado perfeito de bailarino em ação. Emergida em seu espaço e rodeada de laminas de cristais reproduzida pelos raios de luz que formam estrelas de magia,  confundem sua fantasia com um céu feito ao contrário. Uma nuvem apresada corta a sombra refletida de mansinho mais vai embora ligeira.  Ee ali na mesma postura, mira e fita novamente. Agora noutra viagem o coração pulsa forte. Seus olhos se afundam em outro sonho distante, como um sábio navegante que risca os mares e rios um amante em pleno outono que se deslumbra com a relva.  Foge do presente e flutua no futuro, um paraiso em encantos, a plena felicidade. No entanto não percebe que os minutos vão voando e as horas se passando como a brisa e o vento frio. De repente ele retorna com um sussurro ao seu ouvido que  clama:
 – Vamos; a tarde já cai, o caminho é longo e outros poços virão...

15/01/2015

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

VIDA E MORTE DE LUCÍOLA





Vida e Morte de Lucíola. 

 
Por: Hermenegildo Freire de Macedo


No vasto mundão de Deus
Se houve muito história
Que guardada ou descartada
Ficam presas na memoria
Provocando desafios
E causando arrepios
De forma fria e simplória.

São causos vivenciados
De uma forma verdadeira
Por pessoas e viventes
E deixa marca certeira
Causando tal impressão
Provocando inspiração
Para o leitor de primeira.

Esse enredo que hoje traço
É algo bem delicado
Se tratando de uma jovem
Que viveu em um passado
Travando luta e intriga
Pois a vida lhes castiga
De um jeito bem pesado.
01

Num lugarejo distante
Nasce Maria da Gloria
De uma família pacata
Para fazer sua história
De encanto e desencanto
De felicidade e pranto
De derrotas e vitória.

Seus pais viviam na corte
Lá no Rio de Janeiro
Sem prevê que o destino
Já tecia seu roteiro
Pois a vida é traiçoeira
E  as vezes bem sorrateira
Dar seu bote bem certeiro.

Foi assim que aconteceu
Com a família da menina
Que era linda e brilhante
Mas trazia em sua sina
A dor e o sofrimento
A angustia e o tomento
Mesmo na corte grã-fina.
02
Pairou a febre amarela
Sobre o Rio de Janeiro
Matando e destruído
Um  mal frio e traiçoeiro
Tirando vida inocente
Devastando toda gente
Do possuído ao posseiro.

A família da menina
Foi da febre acometida
Dizimando quase todos
Poucos ficaram com a vida
Sua  irmã e o seu pai
Que mais tarde ainda cai
Na desgraça acontecida.

Somente Maria das Graças
Saiu ilesa do mal
Mais outra miséria tamanha
Não lhes poupou por igual
A fome e a necessidade
Sem um gesto de bondade
Trouxe um gosto infernal.

03
Para ajudar a família
Daquela situação
A menina inocente
Se vende a prostituição
Cai nas graças de um ricaço
Que aproveitando o espaço
Promete-lhes  salvação.

A moral e bons costumes
Era marca registrada
O pai da menina Glória
Sempre foi gente  honrada
E não ia aceitar
Nem tão pouco concordar
Com uma filha depravada.

Ao saber das atitudes
Da sua filha querida
Seu pai a rejeita logo
Expulsa da sua vida
Sem saber qual a razão
De tamanha decisão
Que os tornou rapariga.

04
Sem morada e um destino
Perambulando ao leu
A mesma encontra abrigo
Num recanto de bordel
Para viver amarguras
E tamanhas aventuras
Meio amarga como o fel.

No bordel troca de nome
De Lucia ela é chamada
Enganando a si mesmo
Naquela vida errada
Porém sem mais condição
De voltar na decisão.
Agora  concretizada.

Mais na vida há surpresas
Que muda toda história
Pois Lúcia conhece Paulo
Justo na festa da Glória
E por ela se encanta
Numa paixão que espanta
Que faz na guerra vitória.

05

No entanto seu passado
Ao amante é revelado,
Gerando um clima ruim
Algo muito desgastado
Parecendo ser o fim
Mais nem tudo que é ruim
Não trás o seu relegado.

Desse momento em diante
Lucia se mostra avarenta
Na conquista por riquezas
Outra postura apresenta
Mais seu lado generoso
De um afeto ditoso
Esta injuria lhes apascenta.

Ajudando seus parentes
Em outra realidade
Se afasta lentamente
Da promiscuidade
Na luta por um lugar
E a moral resgatar
Sendo fiel de verdade.

06

O seu relacionamento
Fica frágil e delicado
Pois Lucia abre sua vida
Revelando seu passado
Já não podia viver
Na mentira e no sofrer
Dormindo com seu amado

Mais o amor verdadeiro
Sempre marca seu lugar
E toda a revelação
Faz os dois se aceitar
Passando assim a viver
Com carinho e mais prazer
Sem nada a desconfiar.

Então a mulher prostituta
Se sepulta para sempre
Lucia assume nova vida
De um jeito diferente
Seu passado é enterrado
Em um tempo encerrado
De uma forma permanente.

07

O casal vai pra Europa
Uma temporada passar
Mais porem no seu retorno
Algo estar a esperar
A ausência da família
Que  Lucia não acha a trilha
Onde a mesma foi parar.

Somente a irmã mais nova
Lucia sabe o paradeiro
E trás para seu convívio
Como um príncipe herdeiro
Dando atenção e carinho
No aconchego do seu ninho.
Dia e noite o ano inteiro.

Na busca de mais sossego
Sai do Rio de Janeiro
Vai para Santa Tereza
Um lugar bem mais brejeiro
Onde a paz é permanente
E se vive mais contente
De janeiro a janeiro.

08

Agora adota seu nome
O mais puro e verdadeiro
E como benção divina
A Paulo vai dar um herdeiro
Mais o destino lhe trai
E toda esperança cai
Como cinza de um braseiro.

A gravidez complicada
Causa-lhes grande sofrer
Chegando ao aborto
Vindo seu filho perder
Cai a dor e a aflição
Pois seu pobre coração
Parece anoitecer.

Diante de tanta angustia
De dor e aprovação
Algo mais sério ocorre
Por aquela ocasião
Deixa a jovem desprovida
Uma doença atrevida
Causa-lhes uma infecção.

09

Na angustia da doença
Em sua alma sofrimento
Revela seu grande amor
A Paulo nesse momento
Pois previa a sua morte
E não queria por sorte
Ocultar tal sentimento.

Pede a Paulo com carinho
Para  sua irmã proteger
Educar e se possível
De sua esposa fazer
Porém o mesmo a rejeita
Pois a criança a respeita
E dela só vai zelar.

Em seu leito moribunda
Anuncia sua morte
Porém tem em seu amor
O aconchego e a sorte
Talvez por ser tão bondosa
De uma visão ditosa
E de uma mulher forte.

10

A Paulo ela recomenda
Para toda a herança dar
A sua irmã querida
Pra ela nada faltar
Não conhecer o tormento
Se livrar do sofrimento
E seu nome sempre honrar.

Promete a seu amado
Ser  seu eterno amor
No céu ou qualquer lugar
Aonde sua alma for
Pois noiva sempre serar
E a lelé vai amar
Com muita glória e labor

E assim Lucia se entrega
Para o leito divino
Uma pecadora um anjo
Que definiu seu destino
 Mostrou ter os seus valores
Mesmo com os dissabores
De um mundo tão cretino.

11

Aos queridos leitores
Quero aqui me reportar
Que isso é um resumo
Do que pude reparar
Leiam o livro completo
Desse escritor esperto
O José de Alencar.



Gênero:  Cordel
Estilo - Septilha


Leia cordel.









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