quinta-feira, 25 de setembro de 2014

A PEDRA QUE VIRA FUMAÇA



LITERATURA DE CORDEL
Por Hermenegildo Freire de Macedo
A pedra que vira Fumaça

O cordel de verso e rimas
Faz relato interessante
Aborda fato e notícia
De conteúdo importante
Como este caso que conto
Traçando ponto por ponto
Num jeito emocionante.

Agora eu  peço atenção
Para tratar dessa história,
É que certo dia desses
Me azoretou a memória
De ver tanta desgraceira
Pra não dizer bagaceira
Sem ter vantagem ou vitória.

Nos dias em que vivemos
A barra anda pesada
Ninguém sabe mais viver
Como em épocas passadas
Quando a nossa diversão
Era ter a gratidão
De cantar e dar risadas.
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Não existia o cinema
Nem tinha a televisão
Vizinhos batiam papo
Com toda consideração
Crianças brincavam de roda
As moças tiravam prosa
Sem rancor no coração.

Brincadeira de criança
Era nadar no riacho
Subir em árvores frutíferas
Para colher belos cachos
Andar de burro e a cavalo
Cantar livre como galo
Quando exibe seu penacho.

Nas famílias o respeito
Na escola toda atenção
Velhos meninos crianças
Viviam em paz união
Ali reinava o respeito
Não se vendo um sujeito
Sem não ter educação.

02
Mesmo não sabendo lê
Sendo matuto e matreiro
Com seu jeito carrancudo
Parecendo cangaceiro
As pessoas se amavam
E também se respeitavam
Como fieis escudeiros.

Mulheres andavam juntas
Trocavam sabedorias
Educavam os seus filhos
Com a maior garantia
Pois tinham como razão
O amor e a dedicação
Sem haver patifarias.

Reinava  na juventude
A união com bonança
Era pouca a falsidade
Não tinha tanta lambança
Suas ações bem sadia
Sem traços de covardia
Só reinava a confiança.

Porém nos dias recentes
A coisa já tá mudada
O medo e a insegurança
Anda solta em disparada
O homem não tem limite
Só vive de dar trambique
E de ações toda errada.

No campo e na cidade
Não sobra nenhum lugar
A desgraça reina solta
E vive a se gloriar
Não se tem religião
E andam na contramão
Sem noção de melhorar.

Quem trabalha é desgraçado
Por não ter paz nem sossego
Dia e noite assustado
Ao sair do seu emprego
Porque a vagabundagem
Vive a fazer malandragem
Sem dar trégua nem arrego.

Tão roubando abertamente
A qualquer hora do dia
Em qualquer lugar atacam
Com traços de valentia
E o pobre trabalhador
Sempre ficando na dor
Dessa bruta covardia.

Não temos mais segurança
Na igreja ou no mercado
Atacam os inocentes
Que só andam assustado
Sem ter a quem recorrer
Com receio de morrer
Por um vagabundo armado.

O fruto da roubalheira
Já tem certo seu emprego
Comprar a pedra maldita
Que hoje tira o sossego
Da nossa população
Que não ver mais solução
E bambeia igual molego.

A pedra excomungada
Chegou para destruir
A vida dos inocentes
Que faz uso a possuir
Em nada tem compaixão
Promove a destruição
Sem o amor construir.

Não se sabe quem criou
Só não foi a natureza
Esta não cria imundice
Com tamanha impureza
Pra causar tanta desgraça
A tal pedra que fumaça
Que só traz dor e tristeza.

Tristeza para os que usam
Lhes causando a dependência
Pois são vítimas da miséria
Devido a sua carência
Se afogam na ilusão
Desta armadilha do cão
Que destrói com violência.
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É preciso ter cuidado
Estar pronto e preparado
Para dizer sempre não
A este mal condenado
Que arrasa sem piedade
Uma parte da humanidade
Deixando tudo estragado.

A mistura do demônio
Vem matando muita gente
Não respeitando a idade
Do nascer ao sol poente
Vicia com rapidez
Provocando a estupidez
Deste vício incoerente.

Os jovens são mais visados
Devido a fase e a carência
O maldito não perdoa
Causando-lhes a dependência
Que pra livrar o sujeito
Precisa de muito jeito
E tremenda paciência
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O crack é um excomungado
Só veio pra destruir
As famílias e os lares
Que passa a se diluir
Acabando um grande amor
Feito com tanto fervor
Que demorou construir.

Quem tem filho viciado
Sofre muito pra lidar
Pois se tornam violentos
Dando até para roubar
Desmoronando a moral
De um lar patriarcal
Que tinha exemplo dar.

Esse mal devastador
É mais no espaço urbano
Pior nas periferias
Onde impera todo o ano
Deixando marca profunda
Dessa droga tão imunda
Que não estava no plano.
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Já criaram a Crackolandia
Que é um espaço da cidade
Onde todo o viciado
Queima o Crack em liberdade
Parece mais o inferno
Onde o demo usa terno
E vende a felicidade.

Ser feliz na Crackolandia
É uma infeliz piada
Pois naquele inferno reina
Todo o cão de encruzilhada
Mais parece o fim do mundo
Onde o desgosto é profundo
E a vida não vale nada.

Hoje o crack estar presente
Quase em todo o lugar
Devastando e destruindo
Sem nada mais respeitar
Produzindo dependentes
Deixando o povo doente
No mundo do Deus dará.
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A droga invade a escola
Sem respeitar a idade
Faz vitima assustadora
Torna escrava a mocidade
Causando medo e terror
Com cenas de tanto horror
E laços de crueldade.

Da classe rica a mais pobre
Nenhuma pode escapar
São relatos absurdos
Que os jornais vive a narrar
E cada dia aumenta
Esta mazela e tormenta
Em todo e qualquer lugar

Campanhas e mais campanhas
Pra barrar essa desgraça
Cartaz de alerta nas ruas
Movimentos pelas praças
No intuito de acabar
Ou mesmo de amenizar
Esta maldita ameaça.
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É triste ver um rapaz
Uma moça ou uma criança
Envolvido em tal mazela
Que lhe priva a esperança
De um dia se livrar
Dessa infâmia escapar
E dela não ter lembrança.

Tem relatos absurdos
De algum pai desesperado
Deposto em delegacias
Confissões pra delegados
Mãe que pede até a morte
Por seu filho que sem sorte
É vítima do desgraçado.

O sujeito que usa crack
Comete qualquer loucura
Para conseguir a droga
Perde toda a compostura
Se tornando perigoso
Possessivo do tinhoso
Inimigo da lisura.
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Desconhece pai e mãe
Não encontra mais amigo
Vive num canto isolado
No refugio de um abrigo
Pois a droga consumida
Deixa a vida destruída
Como o mais cruel castigo.

Quando um viciado em crack
Não acha pra consumir
Fica muito alucinado
Que parece mais Zumbi
Entra até em convulsão
É grande sua aflição
Do mal que já mora ali.

Após estar viciado
Pra deixar a coisa é feia
Não  adianta internar
Ou enjaular na cadeia
O maldito é tão perverso
Que o infeliz tem sucesso
Como o remédio na veia.
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Destrói na paternidade
E a maternidade também
Sem ter dó nem piedade
Ou sem respeitar ninguém
Tira a razão de viver
Pois preferem padecer
Sem ajuda de alguém.

É bem triste de se ver
Um jovem se gloriar
Por ter usado o maldito
Para algo conquistar
Dizendo que é moderno
Sem dar conta do inferno
Que estar a se aproximar.

Se alguém te oferecer
Diga não com liberdade
Mostre seu potencial
Que é jovem de verdade
Ficando assim preparado
Desse mal tão desgraçado
Que destrói sem piedade.
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Se perceber que um colega
Quis cair na tentação
Procure lhes da ajuda
Socorrer e dar uma mão
Tirando desse caminha
De tanta dor e espinho
Que só leva a perdição.

Agindo dessa maneira
Você é bom companheiro
E se mostra inteligente
Digno de um fiel parceiro
Que valoriza a vida
Muitas vezes já sofrida
Sem droga no seu roteiro.

A pedra que vira fumaça
Faz fumaça de sua vida
Abrindo, nos que te ama.
Uma profunda ferida
De tristeza e desgosto
Que faz abater o rosto
Dos que te deram guarida.
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Portanto a nossa vida
Deve ser valorizada
Se encher de muito amor
Pondo Deus na caminhada
Pra que algo tão profano
Não venha tecer o plano
De uma sina desgraçada

Então vamos nos unir
Pra esse mal combater
Livrando gente inocente
De esse infeliz conhecer
Promovendo a liberdade
E também a igualdade
Do real e bom viver.

Essa luta é de todos
Do governo ao cidadão
Protegendo toda a gente
Das armadilhas do cão
Que vive no mundo inteiro
Trazendo o mal derradeiro
Em qualquer ocasião.
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Ame a vida e seu corpo
Aprenda a lhes dar valor
Só se vive uma vez
Não procure dessabor
Já vimos que a natureza
Promove tanta beleza
E pra nós Deus a criou.

Assim meus caros leitores
O cordel vou encerrar
Rogando pra providencia
Todos nós acompanhar
Livrando dessa tragédia
Que anda solta sem rédea
Querendo tudo acabar. Fim


Povoado Cajaiba 20 de Setembro 2014.




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