Júri de Vítima Viva
Decepção de Manilton
Autor: Hermenegildo Freire de Macedo
A história
aqui contada
Requer muita
atenção
Devido ser
muito séria
Pra prender
toda atenção
É o caso do
Manilton
Um pistoleiro
perito
E a sua
decepção
Manilton foi um
sujeito
Aqui da nossa cidade
Que deixou na sua
história
Um legado de maldade
Com marcas de
violência
Todos feitos sem
clemência
E com muita
atrocidade.
Porém um dia
é da caça
E o outro é
do caçador
Quem com
ferro faz ferida
Fere-se com o
que furou
Pois a
justiça é bem reta
E um dia o
mal acerta
A quem ele
praticou.
O caso que
conto agora
Eu li num
livro não nego
Faz parte de
uma obra
Chamada
Feijão de Cego
De um autor
sergipano
Muito legal
não me engano
Que sabe
bater um prego.
Manilton
então cismou
De um dia
Austro matar
Devido uma
forte rixa
Que os dois
resolveram travar
Coisa da
ignorância
De gente que
na infância
Não amou ou
soube amar.
Mais parece
que o sujeito
Tinha parte
com o diabo
O seu corpo
era fechado
Com reza de
santo brabo
Ou as balas
eram ruins
Feitas de
barro ou festim
Que do traste
não deu cabo
Vou contar em
poucas linhas
O que foi que
aconteceu
Com aquele
matador
Que nessa
terra cresceu
Um sujeito de
coragem
Que odeia
vadiagem
E nesse
instante tremeu.
Às vezes o matador
Faz um plano sem
sucesso
Esse então foi um dos
tais
Que não se fez um
progresso
Só rendeu dor de
cabeça
E quem do caso
conheça
Pra Manilton um
processo.
Estava ali o
Manilton
Valdénisio em
sua frente
Com o ar de
gato astuto
De sujeito
negligente
Desconfiando
de tudo
Mostrando o
lado cascudo
De um tipo
diferente.
Aquela
intimação
Pra Manilton
era imoral
Por isso
causou vexame
Uma fadiga
infernal
O júri de
vítima viva
Era boca sem
saliva
Causando-lhe
todo mal.
Ficou ele
indignado
Raivoso cheio
de furor
Em pensar no
julgamento
Num caso que
ele falhou
Era como lhe
falar
Que ele foi
namorar
E na hora H
broxou.
Aquela
intimação
Seu sossego
consumia
A tempos que
não matava
Nenhum crime
cometia
Pois dos que
já tinha feito
O juiz bem
satisfeito
Deu-lhes
carta de alforria.
Agora ele
matutava
Em sua
inquietação
Ir a júri sem
cadáver
É pior que
traição
É querer
envergonhar
Até
desmoralizar
Um pacato
cidadão.
Manilton que só matou
Pra defender a moral
Lembrou-se do caso da
filha
Onde um cara-de-pau
Tentou derrubar na
rua
Pra ver a coitada nua
No entanto se deu
mal.
Não aceito
esta afronta
Justo aqui no
meu lugar
Se for para
ter um júri
O motivo eu
vou dar
O infeliz não
morreu
Mais tirou o
sossego meu
Agora vou lhe
matar.
Quis terminar
o serviço
Sinésia então
empatou
Comprou até
balas novas
Pra o lugar
das que falhou
E nisso então
que se dar
Por mulher ir
escutar
Veja o que
pra mim sobrou.
Nesta hora o
Manilton
Ficou mais
aperreado
Estou
passando vergonha
Devido um
cabra safado
E também por
escutar
Mulher que só
faz zoar
E planejar
tudo errado
Lembrou-se da
sena do crime
Passo a passo
recordando
E com raiva
da mulher
Cada vez mais
foi ficando
Se a tal não
tem se metido
Tudo estava
resolvido
E eu livre
aqui cantando.
Valdenisio
lhes falando
Sobre as leis
e o juiz
Implorando
que assinasse
Cumprindo o
que o homem diz
Avexado pra
escapar
E sumir do
tal lugar
Da presença
do infeliz.
Manilton assinou o
troço
Valdenisio sumiu com
ela
Agora pensa de novo
A raiva engasga na
goela
E a Sinésia chamando
Com um plano
matutando
Pedindo a ajuda dela.
Sinésia se
lamentou
Com a decisão
do marido
Disse deixe
com a justiça
Que o caso é
resolvido
E tentando
empatar
Do infeliz ir
matar
Pois nada
estava perdido.
Mais pra quem
é da maldade
Não se
contenta com nada
Nem escuta
bom conselho
Acha qualquer
coisa errada
E só enche a
barriga
Quando arruma
uma intriga
E a vida está
desgraçada.
Para se vê
sossegada
A coitada
concordou
Entregando-lhe
o revólver
Como o tal
solicitou
E o mesmo
tece um plano
Pra matar o
tal fulano
Que um dia
ele falhou.
Manilton
pegou a arma
Carregou com
bala nova
Colocando na
cintura
Mais na mesma
fez a prova
Testando a
pontaria
Pra não fazer
como o dia
Que pra
Austro fez a cova.
E saiu pela
cidade
Rua abaixo
rua acima
Igual uma
fera louca
Que o rumo
não atina
Pois só tinha
na memória
De registrar
na história
Aquela honra
assassina.
Andando no rumo certo
Com o instinto da
maldade
Encontra pessoas
sérias
Pelas ruas da cidade
Mais não se faz
perceber
Que o que ele vai
fazer
Tem sabor de
crueldade.
Chegando a
casa marcada
Estava tudo
fechado
Recebe a
informação
Que Austro
tinha mudado
Chutou a
porta raivoso
E num gesto
desgostoso
Retornou mais
enfezado.
Como leão
enjaulado
A ninguém
mais deu bom dia
Se enfornou
em sua casa
Dia e noite
noite e dia
Esperando o
momento
De ver outro
sofrimento
Para ele uma
covardia.
No entanto é bom saber
Que quem fez tem que pagar
Seja certo ou errado
A justiça a de reinar
E Manilton sentiu o peso
De ir a juri sem ser preso
E ver o mundão falar.
Para ele uma
morte
Pro povo uma
solução
Pois o
tal sujeito era
Como artimanha
do cão
Sem ter dor
ne piedade
Praticava só
a maldade
Sem amor no
coração.
Agora ele
percebeu
Que não pode
se livrar
Do júri de
Vitima viva
E a vergonha
vai passar
E tem que
comer calado
Porque o
sujeito errado
Um dia tem
que pagar.
Quero aqui
meus ouvintes
Despedir-me
com louvou
Depois de
contar um fato
Que nessa
terra passou
Não sei se
isso é verdade
Mais agradeço
a bondade
De quem a
mesma narrou.
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