O Outro Lado
da Moeda
Autor: Hermenegildo Freire de Macedo
Brota
em minha inocência
Um
ar de fino elogio
Do
qual não sinto orgulho
Porém
me causa arrepio
Da
bravura estrondeante
Que
cheira a um desafio.
Desafio não
na proza
Mais em frases verdadeiras
Com direito
a repisada
Com
palavras bem certeiras
Do cabra
que ama a vida
De forma
bem prazenteira.
Sou
caboclo aqui da roça
Esse
aqui foi meu destino
Não
gosto de vaidade
Odeio
cabra cretino
A
paz pra mim é concórdia
Desde
os tempos de menino. 1
Eu
não sou um sonhador
Mantenho
meus pés no chão
Sei
que a vida não é fácil
Ela traz decepção
Deixando
um nó na garganta
E
sangra um bom coração.
Confiar
no ser humano
É o
passo mais errado
Cada
um deve seguir
Seu rumo
pra cada lado
Pois
de maldade e traição
O
mundo é abarrotado.
Não
escapa um só vivente
Dessa
coisa vergonhosa
Que
vive solta no mundo
Reinando
vitoriosa
Transformando
o ser humano
Numa
coisa desastrosa.
2
Respeito
e honestidade
São
palavras do passado
A
mentira e a canalhice
Vivem
juntas lado-a-lado
Destruindo
os bons costumes
Deixando
tudo estragado.
Não devemos confiar
Em nenhum
sobrevivente
Pois logo a
decepção
Os torna
incoerente
Parecendo que
as pessoas
Estão podres e
doentes.
Pode
até ser absurdo
O
que estou a dizer
Mas
absurdo maior
É
não querer entender
Dizendo
estar tudo bem
Só
para sobreviver.
3
Porém
a realidade
É
por demais diferente
Só
não enxerga um cego
Ou
aquele que é demente
E
não busca perceber
De
forma inteligente.
No fundo da
consciência
Todos nós
somos espertos
E procura
entender
Traçando um
rumo certo
Como faz um
bom camelo
Quando anda
no deserto.
Eu
sempre acreditei
Numa
vida de bonança
Sem
perceber que o homem
É
um poço de ganância
Que
destrói a própria vida
Com
fúria, terror e ância.
4
Projeto
ambicioso
Que
só traz destruição
É
guerra fome e peste
Devastando
a nação
Ferindo
sem piedade
A
obra da criação.
Sem dó e sem
sentimento
Ele vai seguindo
em frente
Causando as
pestilências
Em seu dote
consciente
Destruindo a
esperança
Que alimenta
muita gente.
É
tão simples perceber
Como
o homem é só maldade
Não
pode ver o seu próximo
Gozando
da liberdade
Procura
de qualquer forma
Aplicar
sua crueldade.
5
E
quando ele não consegue
No
próximo encaixar defeito
Não
dorme e não sossega
Nada lhes põe satisfeito
Pois
o mal que estar guardado
As
fere dentro do peito.
E assim
segue sombrio
Com o seu
extinto mal
Muitas
vezes disfarçando
O seu dote
infernal
Esperando uma
chance
Para seu
bote final.
Ninguém
pode calcular
Qual
é a sua intenção
O
que traz no pensamento
E
sente no coração
Se
é coisa do divino
Ou
artimanhas do cão.
6
Quem
já leu as escrituras
Por
certo tem percebido
Que
até mesmo o criador
Foi
um tempo arrependido
Em
ter posto sobre o mundo
Um
projeto tão perdido.
A prova do
que eu falo
Foi a arca
de Noel
Só ele e seus
descendentes
Sobraram
como trofeu
Provando
que Deus supremo
Não é um
pai tão cruel.
Mesmo
lendo este exemplo
O
homem não se emenda
Continua
aprontando
Causando
ódio e contenda
Destruindo
a natureza
Com
brutalidade tremenda.
7
Cria
armas destrutivas
Pra
matar a sua raça
Em
provetas faz doenças
Da
mais profunda desgraça
E
se diz inteligente
A
cada dia que passa.
Não respeita o
ambiente
Nem plantas
nem animais
Se acha dono
de tudo
Com seus atos
imorais
E se julga estar correto
Pois são
dotes naturais.
Acontece uma catástrofe
A
culpa é da natureza
Não
olha em sua ganância
A
falta de gentileza
Que
destrói com crueldade
Como
urso faz na presa.
8
Eu
só vou continuar
Descrevendo
esse ser
Apesar
de ser um deles
E
me causa desprazer
Pois
tenho que vê calado
Sem
nada poder fazer.
Na vida se
experimenta
Diversas
situações
Que depois de analisadas
É que vê
as proporções
E pode se
calcular
Os níveis
de traições.
Isso
pode acontecer
Nas
etapas dessa vida
E
marcar como um punhal
Que
num golpe faz ferida
Deixando
a decepção
Como
ponto de partida.
9
Imagine
uma família
Composta
por bons sujeitos
Que
reina a paz soberana
O
amor e o respeito
Sempre
tem um traidor
Que
mela e não tem jeito.
Num casal de namorado
Que se diz
apaixonado
Porém a
traição vive
Entre os dois
entrelaçados
Pode um dia se
casar
Mais no outro
é separado.
Não
se pode confiar
Na
palavra de ninguém
E
se alguém acreditar
Vai
se transformar refém
De
pessoas miseráveis
Que
só querem se dar bem.
10
Às
vezes fica difícil
Formar
uma amizade
Pois
o medo é profundo
Dessa
tal de falsidade
Pois
ninguém pode saber
Quem
se vive na verdade.
Amigo já
não encontra
Nesse
mundo tão tirano
Onde o dinheiro
impera
Corroendo
todo plano
Que ao ver
alguém bonzinho
Com
certeza é engano.
Eu
falo de sentimento
Que
hoje não mais existe
Nos
mostrando o absurdo
De
um mundo vago e triste
Que
só mesmo os valentes
No
amor ainda persiste.
11
Como
chuva em trovoada
Traz
relâmpago e trovão
Qualquer
vivente do mundo
Tem
medo de assombração
Imagine
um inocente
Ser
vítima de traição.
Devemos ser cautelosos
Com
promessas de grandeza
Muitas
vezes ela esconde
Uma fútil
esperteza
Que transforma
a alegria
Na mais
profunda tristeza.
Se
você é um pensador
Que
usa bem a memória
E
já leu vários relatos
No
decorrer da história
Já
deve ter percebido
Como
o mal chega à vitória.
12
Vejamos
um bom exemplo
Dito
sem pestanejar
Da
maldade tão tirana
Que
temos que enfrentar
Pegue
um pai com um filho
E
ponha os dois a jogar.
Nesse
momento acaba
Qual quer
consideração
Um tenta enganar o outro
Trapaceando
a razão
E dentro
das consciências
Só se
tratam por ladrão.
Parece
até abstrata
A
palavra inteligência
Ou
então ninguém mais usa
Sua
própria consciência
Pintando
um quadro maldito
De
vergonha e indecência.
13
Temos
que ver tudo isso
De
forma bem coerente
Mais
sentir que não existe
Mais
um tipo inocente
E
ninguém pode enganar
Por
um tempo permanente.
É triste
agente saber
Que
dentro de um vivente
Existem
dotes perversos
De
ação incoerente
Ou saber
que Deus criou
Todos
nós inteligente.
Não
sei se sou delirante
Ou
vivo de esplendor
E
acreditar em mudanças
Nesse
mundo traidor
Ou
estou me enganando
Como
faz um sonhador.
14
Podemos
analisar
Para
ser bem mais prudente
E
não seguir a Moises
Que
era dente por dente
Mas
saber que a traição
Não
é um fato recente.
Ter critérios
nessa vida
É algo bem
importante
Que pode mudar
o rumo
Da história num
instante
E deixar os
envolvidos
Boca aberta e
radiante.
Ser
pobre não é defeito
É
apenas ter carência
Pois
se o sujeito é correto
E
usa sempre transparência
Mostrando
esse bom sinal
Que
é esperto e tem cadência.
15
Assim
todos que engana
Tem
seu alvo escolhido
E
planeja à escondida
O
tipo mais preferido
Pois
seu desejo tirano
É
sempre desconhecido.
A vida
desses perversos
Que agem
sem ter amor
Não
olha o ser humano
É
sangue frio e traidor
Prejudica
e massacra
O
pobre trabalhador.
Em
sua agenda diária
Atos
feios são citados
Na
procura de um dia
Ser
assim martirizados
Por
pobres e inocentes
Que
vivem necessitados.
16
Todo
cuidado é pouco
Pra
ações de um traidor
Que
age sem avisar
Que
fere sem ter amor
E
faz de sua vingança
Um
jardim de esplendor.
Difícil
é saber quem tem
O seu coração maldoso
E que
traz em sua mente
Um
instinto vergonhoso
Que
alimenta a cada dia
Os
prodígios do tinhoso.
Armadilhas
do diabo
São
laços da tentativa
Que
persegue dia e noite
Não
se cansa ou se esquiva
Sempre
age de mansinho
Se
mantendo na ativa
17
A
maldade anda tão solta
Presente
a todo o momento
Não
escolhe mais lugar
Pra
causar o sofrimento
Nem
manda pedir licença
Vem
e mostra seu tormento.
Quer saber
o quanto doem
Os atos da
tirania
Seja uma
vítima primeira
De ações
da covardia
Lhes
digo que vai sofrer
Dia e
noite, noite e dia.
Coitada
da nossa gente
Que
vive na aflição
Exposta
a toda desgraça
Sempre
réu da traição
De
um sistema apodrecido
Que
governa esta nação.
18
Se
for destrinchar uma lista
Não
sobras quase ninguém
Vai
do pequeno ao maior
Do
mais perto ao além
Que
pra manter a ganância
Mata
até por um vintém.
A prova disso se estampa
Pelas
folhas do jornal
Não vem
mais como manchetes
Já
colocam no edital
E pra quem tem sentimentos
Só em lê
já passa mal.
Às
vezes faz até medo
De
mostrar nosso valor
Pois
hoje nunca se sabe
Onde
está o traidor
Que
se disfarça em amigo
Pra
mostrar o seu furor.
19
A
verdade, companheiros
É
que o mundo está virado
Não
se sabe quem é bom
O
que é certo ou errado.
Só
sabemos é que tudo
Vive
aí desmantelado.
As
famílias já não têm
A total
autonomia
Devido leis
enganosas
Que o
próprio homem cria
E faz dessa
irmandade
Um mundo
sem garantia.
Às
vezes é engraçado
O
cinismo que usou
Pra
dizer que a culpada
É
a mídia e seu furor
Não
sabendo que foi ele
Que
a tal da mídia criou.
20
A
coisa é tão desastrosa
E
de tamanha podridão
Que
em fúteis propagandas
Se
gasta mais de milhão
Enquanto
nossas crianças
Não
recebe educação.
A miséria é
incrustada
De modo
descomunal
Discrimina a
pobreza
De uma forma
tão real
Que o fraco morre em casa
E o forte no
hospital.
Quer
descobrir mais sujeira
Investigue
a polícia
Não
precisa ser esperto
Nem
usar tanta perícia
Pra
sair de saco cheio
De
tamanha imundícia.
21
Hoje
a vida das pessoas
Parece
não ter valor.
A
própria justiça trata
Com
requintes de horror
Como
se o ser humano
Fosse fonte do terror.
Não quero que
me confundam
Com alguém sem
sentimento
Que fala da própria espécie
Sem citar o
seu talento
É que o mundo
está confuso
Pra todos
nesse momento.
Pra
se ter uma ideia.
Da
coisa como se vai
Quanto
mais você ajuda
É
que a pessoa lhe trai
Tem
tipo que é tão cretino
Que
engana até o pai.
22
Ha
sujeitos levianos
Que
a presença já faz mal
Se
alimentam da maldade
E
da luxúria banal
Não
podem ser comparado
Com
o mais pobre animal.
Não se tem mais
amizade
Pois a coisa
anda feia
Pra encontrar
gente descente
A pessoa se
aperreia
E o que fala que te ama
É o que mais
te odeia.
O
ser humano é cruel
Não
se sabe dar valor
Destrói-se
sem ter razão
Desfaz
o que Deus criou
Nem
a vida ele preserva
Que
lhes deram por amor.
23
Se
toda a humanidade
Amasse
como criança
O
mundo seria outro
Com
fartura e bonança
E
pras gerações futuras
Restava
mais esperança.
A vida anda
tão confusa
Suja pela
crueldade
Que mesmo se estando solto
Já nos falta
a liberdade
Pois ninguém
mais reconhece
O amor e
fraternidade.
A
raiva é extinto imundo
Não
pode ser tolerado
Só
reina em seres profanos
Do
tipo mal educado
Ou
em tipos sem valor
Que
não pode ser amado.
24
Pra
tolerar tais ações
É
preciso consciência
Pois
pra tudo tem limites
E
precisa de clemência
Mas
suportar traição
Só
com muita paciência.
Vivemos num mundo cão
Onde as
dúvidas são parceiras
É melhor
viver cantando
Ao ouvir certas besteiras
Pois escutar
certas gente
É
atitude fuleira.
A
maldade é tão tirana
E
amarga como o fel
Onde
reina a tirania
Com
seu dote mais cruel
Planejado
nos infernos
Onde
reina o fogaréu.
25
Sutil
e sempre alerta
O
foguista faz seu fogo
Quem
não sabe assinar
Ao
compadre pede arrogo
Assim
faz o inimigo
Quando
prepara seu jogo.
Há um
tipo de amizade
Que reza
por teu atraso
Vive
sempre ao teu lado
Como
faz um paparazzo
Pleiteando
a tua desgraça
Para
um curto e longo prazo.
Assim
vive a humanidade
Sem
de nada ter certeza
No
meio de tanta infâmia
Da
mais suja impureza
Que
ao invés da felicidade
O
que lhe resta é tristeza.
26
Na
árvore da nossa vida
Que
só existe lamento
Ferindo
o fundo da alma
Destruindo
o pensamento
Levando
todo o vivente
A
um mundo só de tormento.
E assim
vamos seguindo
Em cada dia
uma surpresa
Se o prato
está limpo e puro
Ou cheio de impureza
Se a dona da
casa é suja
Não troca o
pano da mesa.
Coisa
boa não espere
Daquele
que te traiu
Pois
esse elemento escuso
Faz
mais mal do que fuzil
Que
até mesmo o diabo
Desse
tipo já fugiu.
27
A
falsidade está dentro
Do
homem e da mulher
Como
a cobra em seu bote
Acerta
o dedão do pé
Ou
meias que não se lava
E
exala seu chulé.
Alerto da
enganação
Num verso que aprendi
E não
foi de gente à toa
Que se
encontra por aí
Pois já
vi várias pessoas
Nessa armadilha cair.
O
verso diz com franqueza
Se
tu queres mulher bacana
Procure
uma mocinha
Pelos
dias da semana
Pois
do sábado ao domingo
Qual
quer raposa engana.
28
Quer
saber se tens amigo
Fique
a pé sem um vintém
De
chinelo e calça velha
Pra
ver se aparece alguém
No
intuito de ti ajudar
Ou
então querer teu bem.
Nesse
momento se afastam
Se faz de
desconhecido
Até a
mulher casada
Ignora seu
marido
E se o
cabra for solteiro.
Aí é que
está perdido.
No
seu setor de trabalho
Nada
fica diferente
O
que de mais se encontra
É
com tipo negligente
Que
vive a todo o momento
Sonhando
em ferrar com a gente.
29
Até
mesmo a igreja
A
maldade não perdoa
Com
um rosário na mão
Se
finge que é coisa boa
Mas
seu único pensamento
É
lesar qualquer pessoas
Na rua isso não se fala
Já é uma
contramão
Onde até
mesmo o sagrado
É
vendido por tostão
E quem
quiser se destruir
Vá
nessa reunião.
As
praças antigamente
Eram
lugar pra casais
Ou
encontro de pessoas
Sem
presenças criminais
Porém
hoje a bandidagem
Faz
delas uns arraiais.
30
A
canalhice é tão grande
No
campo e na cidade
Que
existem figurões
Defendendo
a crueldade
Mostrando
o que aprenderam
Nos
bancos das faculdades.
Não se
deixe enganar
Com
carinhas de inocência
Esse é o jeito
acertado
Que o
mal age sem prudência
Transformando
a vida alheia
Sem
amor e sem clemência.
O
certo é nesse momento
Ter
as artes de um vigia
Que
a noite vive acordado
Só
dormindo pelo dia
Então
assim fica livre
De
tamanha covardia.
31
O
traidor não vem só
Sempre
está acompanhado
Vale-se
do que é bom
Pra
não ser atrapalhado
E
usar na hora certa
O
seu dote excomungado.
O mal é
cheio de perícia
E sabe
como usar
Conquista
de todo lado
Até se
apropriar
De toda
situação
E a
maldade executar.
Imagine
uma pessoa
Que
está sempre ao seu lado
Se
passando por amigo
E
bem intencionado
De
repente se descobre
Que
é um cabra safado.
32
É
preciso muita calma
Para
poder suportar
Porque
só nos vem besteira
E
vontade de matar
Só
que não vale a pena
Com
bagulho se sujar.
A criatura
que não presta
Só pensa
em seu próprio bem
Não olha a
necessidade
Nem
precisão de ninguém
Pois o
desejo da mesma
É destruir
com alguém.
Encerro
então essa obra
Que
fiz com muito esmero
E
dedico para todos
Os
leitores que venero
Amantes
dessa leitura
Aprovando
assim espero
33
Deus
me deu o dom da graça
E
pra ele digo amém
Libertou
minha cadência
Com
ajuda de alguém
Pra
fechar esse cordel
Com
o verso de número cem.
Gênero Cordel Sextilha.
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