Autor. Hermenegildo Freire de Macedo
Da
liberdade à opressão.
Assim dizia
um negro
Em sua
angustia tremenda
Lembrando-se
da mãe terra
Onde era
feliz em sua tenda
Lá eu tinha
liberdade
Aqui só
desprezo e maldade
Nessa triste
e vida horrenda.
Minha
cultura negada
Estou réu da
triste sorte
Se tiver
maior tormento
É melhor
mandar a morte
Mais Deus
vai está comigo
E vencerei
tal castigo
Por que sou
justo e forte.
Aqui não
conheço a terra
Apesar das
maravilhas
Minha gente
é desprezada
Tratados
como novilhas
Nosso
sorriso de outrora
Pouco a
pouco foi embora
Já não
fazemos partilhas.
No momento
em que tiraram
A nossa
pátria querida
Não respeitando
o meu povo
Abrindo em
nós uma ferida
Destruindo a
esperança
E nos dando
como herança
Essa horrível
e triste vida.
Tudo isso
começou
Lá no século
dezesseis
No ano de
trinta e nove
Onde a
primeira vez
Navios com
meus irmãos
Empilhados
no porão
Parada aqui
se fez.
De Ruanda e
Moçambique
Luanda e
Mandagascá.
Ou de vilas
revoltosas
Que
guerreavam por lá
Querendo
fugir das lutas
Que toda gente assusta
Decidiam vir
pra cá.
Na história
encontramos
Vários fatos
relatados
De irmãos
que lá na África
Já
viviam escravizados
Prisioneiros
de guerra
Que mesmo na
própria terra
Eram
desafortunados.
Até então
justifica
As lutas
entre os irmãos
Suas causas
e pelejas
Ou falta de
união
Pois isso
não dar direito
De colocar
um sujeito
Nas barras
da escravidão.
Retroceder
no passado
Pode até ser
sofrimento
Porém tem
necessidade
Mesmo
causando tormento
Pra
engrossar nossa luta
Que vive de
pernas curta
Sendo causa de lamento.
Os negros
que aqui chegaram
Trouxe em si
sofrimentos
Devido a
várias razões
Com diversos
argumentos
Gerados por
longos anos
Que
divergiram dos planos
E demais
experimentos.
Adentrar nessa
história
É ver cenas
de horror
Onde o
próprio ser humano
Foi o seu
próprio mentor
De ações
exacerbadas
De postura
envergonhada
Dos momentos
de terror.
Como já
citei em versos
A escravidão
já existia
Por revoltas e contendas
Que o
próprio negro fazia
Mais nada
nos dar direito
De lhes
faltar com respeito
E atos de
covardia.
A angustia começava
Ainda em sua
nação
Em um
momento tirano
Que era a
separação
Onde pai
deixava filho
Como se faz
com novilho
Em tempos de
apartação.
Nos tais
navios negreiros
Em porões
eram jogados
Em condições
sub-humanas
Dia e noite
torturados
A miséria e
a maldade
E a perda da
liberdade
Deixavam-lhes
atordoados.
A dor que
lhes consumia
Até preferir
a morte
Privados de
higiene
Naquele
infeliz transporte
Onde em cada
momento
Aumentava o
sofrimento
Daquele
infeliz sem sorte.
Devido ao
grande maltrato
Mais da
metade morria
Por pestes e
outros males
Que durante
a travessia
Matava sem
piedade
Completando
a crueldade
Que ali já
existia.
Ao chegar à
nova terra
Como boi vai
ao curral
Era levado
ao mercado
Tratados
como animal
Vendidos como
objeto
Negando
total afeto
E reputação
moral.
Em lotes
como ovelhas
Pelas ruas
espalhados
Seminuas e
descobertos
Eram assim
negociados
Como gados
de boiada
Que se
compra por manada
Por um preço
ajustado.
Compradores
fazendeiros
Pelas raças
escolia.
Dentes, mãos
e as canelas.
Eram partes
de valia
Altura,
força e postura.
Pra
enfrentar a agricultura
Como o dono
preferia.
Pras
fazendas são levados
O mais
rápido que podia
Separando
língua e sangue
Para assim
ter garantia
De qualquer
dia futuro
Não se ver
pelo escuro
Movimentos
de alforria.
Bem distante
da mãe terra
Seu
sentimento negado
Na sua mente
só ronda
Pensamentos
revoltado
Seu trabalho
é diversão
Mesmo sendo
de aflição
E por todos rejeitado.
A senzala
seu recanto
O seu
monstro o pelourinho
A esperança
que já foge
E lhes deixa
ali sozinho
O seu corpo
bem cansado
Não quer
mais ver o passado
Só seguir o
seu caminho.
Os canaviais
floridos
A flor do
branco algodão
Tudo aquilo
é um massacre
São rastros
da solidão
Em nada
encontra beleza
Só correntes
de tristeza
Invadem seu coração.
O por do sol
que outrora
Parecia a
poesia
Transfigura
em sua mente
Um cenário
de heresia.
Que machuca
e que tortura
Causando-lhes
a tontura
Em um céu de
agonia.
Os dias vão
se passando
Meses, anos sem parar.
E o negro
livre de outrora
Vive sempre a lamentar
Parece que o
divino
Não liga
mais pra o destino
Dos que
devia salvar.
Humilhação
permanente
A fome, a
sede o frio.
Violência
que impera
Como a água
invade o rio
Só lhes
resta a união
Que é feita
em contramão
Em resposta
ao desafio.
É lá no
corte da cana
No meio do
cafezal
Que ele
trama sua fuga
Daquele
espaço infernal
Desenvolve a
capoeira
Uma arte bem
maneira
Ou uma arma
mortal.
Porém o
tempo se passa
E a
liberdade distante
Sua vida é
muito triste
O seu
lamento constante
só
sofrimento e maldade
E marcas da
crueldade
Deixa-lhes
estonteante.
Mas a liberdade e a fé
É a marca de
seus ombros
Procura dia
e noite
Nada a eles
causa assombros
E de forma
organizada
Obedecendo
as pisadas
Vão
construindo os quilombos.
Temos
quilombos famosos
Como o do
chefe Zumbi
Que com luta
e liberdade
Ajudou a
construir
Uma nação
independente
Como chefe
inteligente
Que vivera
por aqui.
Quem assinou
a lei Áurea
Foi à
princesa Isabel.
Mais é pra o
chefe Zumbi
Que eu tiro
meu chapéu
Por se um
símbolo de luta
Que às vezes
a história oculta
De uma forma
bem cruel.
Assim
fizeram com o índio
Escravizado
primeiro
Que conto em
outra história
E faço outro
roteiro
Pra não confundir
vocês.
Pois sei que
é a primeira vez
Em que ouve
esse letreiro. fim
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